Bem-vindos à CASA DE AMIGOS!

Dou as boa-vindas a todos e faço votos de boas leituras!

A princípio esse era um blog para que eu divulgasse meus poemas e textos. Hoje não sei mais... Talvez, junto comigo, ele tenha se transformado e essa "Casa de Amigos" venha a se tornar não só lar dos meus delírios como também de meus desabafos...

Acompanhem também os textos no Arquivo do Blog (disponível no lado esquerdo da página)...

Comentários são sempre bem-vindos!

Páginas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Brilho, intenso, meu!




O tempo como amigo,
Vezes, inimigo,
De você me intrigo
Com essa saudade deslumbrada.

Sábio e profético como teu tocar
Belo e delírio como um singelo olhar...
Vezes aquelas que te estou perto.

Intrigas crescentes de um vento sem nexo
Poema descontente de um amor imenso.
Amante apaixonado de um menino estupendo...
Só assim defino.

Ah! Como me recordo...
Como me elevo...
Sem saber, disparado
A teus braços...
Chamado por aquela sensação
Que jamais senti igual!

Era um brilho íntimo
Que ninguém tem como normal
Porque era seu, meu rei especial!

Horas vagas sem tua presença
Lacunas incendiária com distante ausência
Ora, pois, se és assim, ao ter-te tudo se recompensa!

Brilho doce de meu dia,
Sol novo de várias manhãs
Mas luar uno de uma noite primordial.
Não posso compor-te com maestria,
Pois meus sensos se desventuram
Em tua completa tessitura.
Um sonho meu, que em você
Realizara.

D'Aratagnan Abdias

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"Maquinalização" do ser humano?



Por vezes fazemos coisas que, talvez, não devessem ser feitas. Mas como saber? Não se pode. O segredo do mundo é exatamente fazer, arriscar. Somente assim vamos longe.


O ser humano vem há tempos, degradando a natureza; em prol de seu progresso e comodidade; baseados em direitos “humanos”. Será que realmente progredimos? Tecnologias, degradações e máquinas nos deram comodidade? Ou será que destruímos e nos tornamos cada vez mais escravos do que criamos?

Hoje, apesar de tanta tecnologia, o ser humano não tem tempo senão para o estresse diário – o qual cada dia aumenta mais. Mesmo com mais facilidades, os direitos humanos, que se intitulam universais –; esses “luxos” só se encarregam de alguns que têm condições financeiras para recorrer a outros, enquanto os que não o possuem só contam com o direito a vida e a “liberdade” (porque nem toda liberdade é dada também); pois os outros direitos lhes ao excluídos.

A cada dia, o ser humano perde sua humanidade para se tornar máquina: ao ter arrancado de si suas habilidade básicas como humano: amor, fé, mitos, imaginação. Tudo em prol de explicações céticas da ciência de livre curso e de modo maquinicista do capital: tudo movido pelo Capitalismo.

Seria ser humano tornar-se máquina? Ou será que ser humano é viver do mito, da criação da história envolvente, da fé, do trabalho sem estresse e sem subordinação ao tempo curto-durável? Onde está verdadeiramente a humanidade?

Acredito que seja humano ter um foco metafísico ao qual basear-se, podar a ciência de seu livre curso em prol ético da moral da fé (com isso teríamos evitado muitas armas de destruição em massa e, paralelamente, muitas guerras). Ser humano é viver na e da Terra, criar facilidades que não degradem nem à Mãe-Terra nem a si próprio; viver da alegria das dificuldades superadas com o tempo e não contra ele. Creio que ser humano é valorar mais o inexplicável do que o racional e financeiro. Ser humano é saber jogar a toalha que quebrar os copos para voltar ao zero quando se erra... Ser humano é abnegar-se a escravidão, principalmente regida por máquinas – não se imagina uma divindade escrava de um homem, porque nós seríamos escravos de nossa criação? Ser homem é VIVER E DEIXAR VIVER!

D'Artagnan Abdias.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Poema de infância


A vida é um emaranhado de sorte
que não se desfaz nem com a morte...

A vida é aquela bela singela
que de beleza estourou a tigela...

A vida é infatilmente criança
que não recusa uma dança.

A vida é sobretudo fogo
de um adulto chamado de bobo...

Ora, pois, vida é infância
é como poema que rima sem sentido.
É como brincadeira que não mais produz amigo.
Não tem nexo, sendo nem explicação
é apenas vivível e sensível ao coração!

Com esse poema de infância,
sem nexo ou razão,
a poesia se afirma
na vida cria rima...
Uma rima bobinha
que mais lembra o "inha"
de toda explicação...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fusão de confusão, expressão e saudades...

Definir-te é loucura,
Esmaecer em tentação
Faço sempre em tua doçura...

Como de impropério tecidos,
Arrebatas peito meu
Com dor insanamente gostosa
Que aquele beijo me deu...

Horas vagas em uma cama
Passara apressadas imagens raras.
Momentos lúcidos não-vividos
Propiciaram-me a memória dada.

É como dizer “te amo”,
Mas de amor confuso proclamo.
Tempo passado nos remonta
Distância presente em nossa conta...

Definir-te sentimentos
É, insanidade, desnecessária.
Falar-te de amor,
Logo depois de chamar-te pátria!

Não venho falar-te.
Em sentimentos certos,
Escrever meus versos...
Venho cantar-te o doce desejo,
Que aquele beijo me revelara.

Sem palavras, nada afirmo.
Amor ou desamor, dou-lhes ao tempo...
Mas de ti, falo abertamente:
Fui coração seco, recém querente;
Sou maleável, esperançoso como o vento...

Saudações abençoadas,
Apenas te escrevo.
Nada mais te digo em ousadia,
Esperando que meu relento
Desmanche-se por dentro.

Fusão de confusão,
Expressão e saudades
Foram esses versos.
Calo-me... Talvez em momento,
Outrora, eternamente,
Calo-me!
E... Apenas, te agradeço.

D’Artagnan Abdias.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Lembre-te de palavras tuas...

Querido amigo,

Ao ler suas notícias, interpus-me em profundo silêncio, procurando as respostas das quais você também busca. Não garanto efetivamente tê-las encontrado. Muito menos, afirmo que conseguirei relatar aquilo que descobri em minh’alma.

Não posso imaginar a dimensão de seu sofrimento. Reconhecendo a grandeza de sua alma, sua força, delicadeza e história pessoal, de fato, não garanto que muitos chegariam até onde você chegou.

Sua evolução perante o resto da humanidade está em grau tão acentuada que é como se não fosse um de nós, mas alguém mais elevado. Contudo, como diz o ditado, “santo de casa não faz milagres”. Não acredito que seja facilmente reconhecido em nosso meio, humano.

Imagine... Recrie toda sua vida e some seus anos. Onde você acha que um jovem de sua idade estaria? E o que pensa que ele estaria fazendo? Garanto-lhe que nem um terço do que você foi capaz de fazer. É espantoso pensar em seu progresso, princípios, virtudes e fatos. Como consegue tudo isso? Você é muito mais que um jovem de dezoito anos, sempre foi!

Não possuo muito tempo em ócio para escrever-lhe o “testamento” que tanto acho digno, por isso, escrevo-lhe esta carta mais simples.

Tu, meu amigo, buscas aquilo que o homem, há tempos, se esquecera; aquilo que os poucos, que se alertam à sua necessidade, vêem da forma romantizada e perfeita transpassada pela mídia. Mas tu não! Tu buscas mais... Quer sim alcançar o amor, felicidade, respeito, sucesso. Contudo, não os buscas na perfeição, na mídia, no impossível; busca-os nas essências feias de que nasceram, busca-os do jeito mais virtuoso e original – do jeito que deve ser.

Como bem sabes, o amor é feio, duro e seco. Não devemos esperar nada de belo e perfeito nele... Não! Ele está aquém disso, não se importa, verdadeiramente, com coisas superficiais e mundanas, com sua secura, amarguês, sofrimento e tudo mais que pode causar! Amor... Ah! Querido amigo, esse se importa com o que pode transmitir e isso, sim, é belo, macio e suave... Confundimos sempre isso.

Esperamos muito que alguém nos ame, com isso, nos distanciamos de sua nostalgia, pois essa não está em sermos amados, mas em amarmos. É isso que torna o amor belo. Não é quem nos ama, mas quando amamos. Paremos de buscar no que é amargo o doce. Se vamos beber da fonte do amor temos que saber sempre que: enquanto nós oferecemos a fonte do açúcar, a vida (o amor, a sociedade e todo resto) nos oferece a fonte do amargo; e devemos bebê-la! Só assim, experimentaremos de fato o amor.

Amar não é belo enquanto se ama... Sofre-se, rompe-se, chora. Ele é belo quando, após ocorrido algo, olhamos para trás e lembramos do quão feliz foi aquele momento; além do sofrimento daquele ou de outros, mas apenas a essência de uma rara e refinada alegria que já se foi.

Beleza é eterna, mas nem sempre a mesma. Sua eternidade não estar em perpetuar-se desmedidamente pela imortalidade dos tempos, dos homens, pessoas, sociedades – ou seja lá o que for. Está sim no fato de que o belo é o todo, e esse está em constante renovação; por isso, não se perde ou decai, apenas perpetua.

Virtudes menores são constantemente sacrificadas pelas pessoas para que a moral maior, talvez a ética, seja perpetuada. Assim também são os sentimentos puros. Sacrifícios menores são obrigatórios para o equilíbrio de suas existências. No caso do amor: nem sempre o desejo de amar, ou mesmo de ser amado, é prudente; afinal, nem sempre estamos cientes do que queremos, do que fazemos, do medo e do que é de fato o amor. O amor é paciente, sabe esperar, mesmo que deixando a janela aberta – alguém ainda pode pulá-la, lembre-te disso.

Com certeza, já paraste para pensar que o mundo de hoje ama efemeramente, e sofre oceanos de turbulência até o próximo amor. Isso não é por acaso. Os homens negam, e negam fervorosamente, o amor puro (feio, duro e seco); e, com isso, buscam desmedidamente a paixão – uma velha ilusão de que tudo é perfeito. Ora, pois, o mundo humano nada tem de perfeito... Com isso, em que lugar caberia a ilusão de um momento perfeito que se perpetuou por pouco tempo? Ele acaba com toda a esperança de perpetuação do todo, o qual duas pessoas juntas são capazes de proporcionar. E essas se separam para buscar novamente aquele doce chocolate perfeito e finito. Contaríamos, em poucos números, os que realmente buscam a essência por trás de tudo, a essência do verdadeiro amor – e muitos desses só o fazem depois de anos, talvez décadas, de largos sofrimentos e estreitas alegrias.

Horas, dias, tempos de solidão não são ruins quando nos conhecemos e conhecemos, também, a amplitude de nosso amor; sendo capazes de transmiti-lo a qualquer um, ou mesmo, a qualquer coisa. Quando temos essa ciência, em mãos, momentos só não nos assustam, nem entristecem; fazem-nos pensar em como dar mais passos rumo a nosso indescritível ser essencial – aquilo que de fato somos. Contudo, quando buscamos em alguém um espelho – meramente fosco – para poder nos observar, mesmo que de forma tão abstrata e irreal, esses momentos nos doem mais que perder a própria alma – talvez porque, em teoria, já a tenhamos perdido; se não conhecemos nosso próprio eu, quem nos garante que ele de fato é nosso? Tenho a plena certeza de que tu sabes disso muito bem.

O grande erro de hoje, erro esse que creio ser uma das maiores causas de teu sofrimento, é que as pessoas estão por aí, buscando serem amadas, mas se esquecem de buscar amar também. O egoísmo social chegou a tal ponto que nos interessa que sejamos amados, mas pouco pensamos em dar de nosso amor ao outro, seja quem for, sem medo de arriscar.

Tu, porém, meu amigo, amaste tanto, arriscaste tanto que perdera tuas forças e, nesse caso sim, precisas ser amado, sentir-te acolhido e abraçado pelo amor, para que possas, enfim, libertar-te dessas amarras do cansaço, fadiga e descrença que nosso mundo te impôs. Por essa linha, quando isso acontecer, voltarias a amar novamente como sempre fizeras. E, então, serás tu novamente: o amante eternamente inocente.

Mas, se queres um conselho desse teu velho e fatigado amigo, não desanimes. Enfrentaste tantas desgraças em tua vida para te deixar abater por essa. Não! Erga-te da cadeira de onde estás. Ponha-te pronto, já! Vista teu melhor traje e saia, saia descompromissadamente; visite teus lugares favoritos, assista bons filmes e peças, escute boa música, cante, dance. Dê uma chance à vida... Mas faça-o agora, enquanto é forte, jovem. Mude o mundo, no qual os jovens erram e os velhos se concertam. Concerte-te já. Não espere ser amado, mas ame! Conquiste a ti mesmo todos os dias, horas, minutos, segundos... ame! Faças como sempre fizeste. Afinal, a tristeza humana e sua desilusão no amor não estão em não serem amados, mas em não buscarem, ou mesmo não saberem, amar!

Sobre a felicidade... Lembre-te de palavras tuas: “felicidade é uma gota refinada extraída após tempos de sofrimento e aprendizagem”.


De teu eterno amigo,
A Vida.

D'Artagnan Abdias

Certamente, mais...

É como se o mundo terminasse
Tudo se extinguisse, sem tempo...
Com o passar das horas
O tudo se torna nada.

A lembrança que erradica na memória
É mais uma vez falha.
Recordo-me de momentos pequenos,
Que não mais suporto.
São noções emprestadas
Que minha mente, quase sadia, me doara.

Motivo de insanidade
Ainda que pequeno,
Pôde que, mais em um momento,
És colo teu! Doce mel de único labor...

Como poderias? Como aceitarias...
Se outro não me tornas tu!
És, pois, vento insano meu.
Tempero doce de meu prato diário
Fogo íntimo recém incendiário...

Desgraças minha carne com teu sabor
E rasgas minhas sensações com tua ilusão.
Doce... Doce... Mais doce... mais que mel!
Quão poderias ser? És incenso novo
Constantemente renascer.

Aqueles passados, completamente inacabados,
São memórias vagas.
Prefiro me pôr a tecer sonhos
Do que relembrar acasos...
Talvez mais! Sim, certamente mais!
Preferiria, eu, esta noite,
Dormir em teus braços...

D'Artagnan Abdias

Aquela tarde...

Dedicado a um inocente amor meu...


Quão vaga é memória nossa,
Quando em prazer se exalta.
É estranho saber falar
Do resultado elevar a expressão.
Sadiamente é dizer
Que vagos feixes nos fazem a ação,
Passageiramente recordada.

Mas me esforço,
Me torço
Retorço.
Espremo e extraio.

Recordo-me bem, daquela tarde,
Cuja madrugada obscura anterior
Te revelara de meu amor.
E com o passar dos passos,
Bem marcados de um relógio surdo,
O tempo revelara-nos em ardor.
Não defino em outro termo
Momento prazerosamente e
Insano nosso.
Tarde, aquela, em que fizemos amor.

Vi, o seu doce malandro olhar
Que, rápido, pedia, o que de mim,
Há muito lhe queria.
E no movimentar intenso de lábios e mãos
Vi mordidas e muitos arranhões;
E esses compunham a sintonia final
Daquela dança.
Um dueto que dançamos juntos,
Aquela tarde.

Uou! Quão prazerosa foi!
Amor retraído, escondido
Amizade resistente,
Olhares carentes...
Só assim nos defino.

Ainda estou aqui.
A relutar pensamentos
De desejos passados
Eternamente preferidos.
Que na tarde, aquela,
Tu realizarás!

Doce amigo amado.
Amizade eternamente professada.
Amantes, tarde essa,
Completamente abnegados.

Sussurrado ao vento,
Entrego-te, apenas,
Palavras adentro:
Amo-te, amigo meu,
Como não ouso
Mais a amar ninguém.
Em amizade nossa,
Dança sola,
Me contém. Porém,
Aquela tarde...
Desejo de ensaio,
Renovação e atraso,
Se eterniza em minha memória.
E você... Feliz, quero te ver,
Em meus braços ou não!

D'Artagnan Abdias

Se ama


Amar é uma forma de expressão,
não do corpo, mas da alma.
É doar-se em todo a tudo.
Infeliz ou feliz também se ama,
e vai se amando, se doando...
Corre-se riscos, perdas, ganhos,
Mas se ama!

Se ama a quantos?
a um, pois,
com este apenas pode-se
simplesmente amar.
Se correr atrás é regra,
amar é a contra-regra.
Ele vai além, compreende.
Cria, recria, atordoa e espera...
Apenas espera.
Paciente e atenciosamente
se ama a esperar
e não se espera a amar.
Se, se sofre ou sorri, não há regra,
apenas se ama!


D'Artagnan Abdias

sábado, 1 de agosto de 2009

Soneto de exaltação

De sabedoria nos dedicas
Na arte a cantar se manifesta.
Expressivas ou não sois bela
Com a rosa que se entrega.

Dia após dia se fortalece
Delírio de muitos e razão apagada.
Casa, proclama e enaltece.
Gera a vida em fertilidade contemplada.

Se todos o tivessem...
Se o mundo fosse dele...
Não haveria os que o proíbem.

Exalta-se amor!
Exalta-se amar!
Ah, por nós, viva a brilhar!

D'Artagnan Abdias

Canto à Vida

De campos sem vez...
A vida é arte pura
Da própria natureza que a fez!

Ora, vida, vida bela...
Canta o norte que se entrega.
Ao longe vem nascendo
O onipotente, sempre crescendo.

Só uma certeza paira aqui
É a morte, grandiosa dama,
Senhora que vem dali.

Vida, vida longa
De beleza singular, és vida
Que se entrega e prolonga!

D'Artagnan Abdias

Não há em mãos...

Dedicado a minha mãe, Dolores.

Tenho, pelo tempo, vagado;
Em horas e passado procurado.
Sem sucesso, coloquei-me a voltar
De cabeça baixa fugindo ao olhar!

Não pude ir além,
Não encontrei busca aquém.
Apenas achei amor,
Palavra de que não ouso compor.

Ora, pois! De amor posso falar,
Mas, não quero o profanar.
Não sei, só, como ir
Apenas dizer para ti:

Fui ao tempo e não em relento,
Busquei em terra e mar deste a dentro.
Não encontrei-te definição,
Pois, és só meu este amor que não há em mãos...

Criei, então, versos
Fora de foco e nexos.
Mas, versos teus
Que, outrora, foram meus!

Em homenagem: és mãe!Então, não ouso definir-te: amar!

D'Artagnan Abdias

Desvendando a Vida

A vida é como o ser
Não se conhece se não pertencer...

Nesse pertencer tentamos tudo,
Menos a graciosa história
De realmente amar...

Esse amar não é tão igual
Vem do profundo, do mais essencial.
É um amar sem títulos
Sem bem nem mal.

Esse equilíbrio a dois
Não se faz em par.
Mas em uno perfeito
Do conhecer-se
E enfrentar nosso mar...

Um mar de vastidão
Que vem de rios de emoções,
Cachoeiras de sensações,
Mananciais de nosso profundo ser,
Natureza de diversidade e união
Sobre um belo mar à tentação.

A vida é do singelo, o essencial,
De nossa essência, a totalidade,
Da igualdade, a uma diversidade,
Da natureza, a mãe cultuada,
Da magia, o verdadeiro poder,
Dos sábios, os livros,De todo o um, o verdadeiro saber.

D'Artagnan Abdias

Recordações

Para que parar?
Para que quieto estar?

Dei-me um motivo
Para as festas e drogas
De esquecimento e subversão.
Tragam-me um porquê
Dessa rebeldia à verdadeira tradição?

Em um passado antigo
O homem tinha valor
Pelo seu eu sabido.
Hoje em dia,
Damos valor a um papel tingido...

Nosso eu se perdeu.
A sociedade se esqueceu...
Por que festas?
Se não mais cultuamos
O real original...
Por que fugir?
Se não erramos
Em nosso ser...

Drogas para remédios,
Festas para o nós...
Esquecimento não,Volvemos às recordações!

D'Artagnan Abdias

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sou

Sou o gracioso pudor
Por entre os corpos,
O singelo desejo
Por entre os amores...

Sou a bela pétala
Que não cai,
A perfeita flor
Que não se abre mais...

Sou o ardor de amantes,
O amor de apaixonados,
Um dos eternos mutantes.

Modifico minha estrutura
Mudo meus jeitos
Sou humano imperfeito.

D'Artagnan Abdias

Semente

Semente põe,
Semente tira.
Semente gira, gira...

Semente caí,
Semente cresce
E só depois floresce!

Semente início,
Semente fim.
Semente sempre
De um ciclo assim...

Longe daqui,
Perto dali.
Semente fica,
Semente vai!

Vida, semente, vida...
Vivendo e florescendo,
No solo enraíza,
Do solo cresce,
O solo energiza
E então desaparece.
Semente!

D’Artagnan Abdias

Fênix amiga

Dedicado à minha amiga Shelrie.

Com duas faces
Nos entrelaces desse laço
De simples chama viva,
És feminina!
Dança prima de amor...
Glória e destemor
Te aguardam,
Passado e força
Te enaltecem.
És jovem em sua espécie!

Renovas como o autêntico mar...
Prolongas como o sol sobre o ar.
Em tuas faces o doce sorriso,
Sabor de mel.
Em teu olhar o lindo desejo,
Cor de céu!

Teu brilho, teu dom
Enaltecem o mundo.
Renasces do pó!
Fênix de antiga mitologia
E brilhante sabedoria!

Te chamo apenas de amiga,
Anja querida...
Doce vida em minha ida!

D’Artagnan Abdias.

Sabor de mel

Dedicado ao meu amigo Magno.

Em doce mel
De prosas exaltadas
O equilíbrio errante se fixa.
Talvez na delicadeza das palavras
Ou na maestria dessa isca.
De peixes: a lagoa
Em nossas falas: os assuntos,
São em beleza formados.

Ah! Um céu se abre
Estrelas caem e o luar sobe.
Lembro-me de nossas conversas,
Lembro-me de sua delicadeza...
Doce ser, cujo mel exalta em poder,
Cada dia, cada hora
Cada compasso eu passo,
Eu passo, eu passo.
Sorrindo e falando
De coisas belas ou feias
Tudo tem sentindo
Na delicadeza
Que em tuas palavras,
Que em teu jeito
Me dizem da velha beleza
Que o mundo necessita.

Ó honrado amigo,
Reserve-me
Um lugar em teu peito,
Pois pessoas como ti
Dou mais que meu respeito.

Ó doce amizade,
Sabor de mel...

D’Artagnan Abdias

Trenzinho do Coração

Vivo, vivo a pensar...
a caminhar e a seguir...
Ando, ando e vou andando
rumo ao lugar em que ninguém sabe ir...

Ó coisa sola, triste história
de um passado sem fim...
com você vou seguindo
indo sempre sorrindo
a um jardim de jasmins...

Nossa, quem diria!
Que hoje aqui estaria...
Cantando e compondo
versos de amor
de um solo cobertor
que você me ensinou.

Ah, amor, ah se eu pudesse...
expressaria ventos em palavras
mas nada adiantaria,
pois não preciso de varas
e sim, da seiva que dela corre...

Como falar, não sei imaginar...
Nossa, será que devo pensar?
Penso, penso... Penso, penso...
Onde vou parar?
Lugar nenhum longe do teu olhar...

Amor, amor meu,
escrevo estes versos para falar
que te amo como nunca a cantar...
Olha, olha longe,
são versos de amor
que em meu coração desabrochou...
Amor, sem mais enrolação,
aceita meu coração e vá comigo se casar!

Te amo, te amo!
Ao nunca, à terra forrar!

D'Artagnan Abdias

Saudades de ti

A saudade vem,
A distância aumenta
O coração dói,
A alma chora...
Chora um choro triste
De um desejo que persiste
Persiste em estar perto de ti.

A vida cai,
O sono demora
O pensamento transforma,
Torno a pensar em ti...

E meu coração bate,
Bate acelerado
Bate compassado.
Vai indo rápido
Fazendo tum-tum!

Uma dor me consome
Uma brisa me engole
E choro...
Choro de baixo de meu cobertor.
Abraço meu travesseiro
Recito teu nome
Clamando ao vendo
Chamando por ti...

Sabes o que é isto?
É saudade,
Dor que me consome
Sofrimento que me envolve
Proeza da vida
Que a sorte anuncia...

A vida me diz:
“é prova de amor”
e o solo consola a minha dor.
Saber que vai estar lá quando eu chegar
É meu conforto de não cessar.

Ah! Por que dói tanto?
Ao ficar longe de ti me espanto
Com meu pranto de amor.

Saiba que eu te amo,
Mas amo tanto que sofro com esta dor...
Vivo a viver a promessa do reencontro
Da vida em flor.

Ó meu amor...
Saudades são provas de amor.
Por isso me espere bem alegre
Pois logo quero ver-te
A sorrir em meus braços,
A arder-me em amor...
Pois logo quero ter
Teus lábios junto aos meus
Em um encanto mortal...

É...
Estou com saudades de ti!

D'Artagnan Abdias

Realidade

Amantes são os ventos
Que levam as ondas do mar.
Amante é a terra sob o arado
De uma era a se passar.
Quão vão dias se exaltem,
Quão vão palavras possam o homem proferir
Nada há de poder a redimir
O que sinto por ti.

Há saudades, momentos de tempestades.
Há virtudes, paixão e felicidade...
O que é real e o que não é?
O que traz paz e o que me faz esperar o até?
Não importa o momento nem a forma,
Pois sei da realidade presente na orla.
Um coração a bater,
Uma vida a florescer...

Me sinto a terra a frutificar,
Rosas a se desabrochar...
Mas sou a violeta,
Simples e fraca, humilde e pequena
Buscando o que exalta de ti,
Força que me faz sorrir.
Da afloração que passo,
Torno astuto e protegido,
Protegido pelo que sinto por ti...

D'Artagnan Abdias

Arte Divina

Dos viris campos floridos
Surge algo a ser erguido.
De grande honra e glória
Não há força que o desflora.
De beleza inigual
Torna-se algo transcendental.
Em uma era de fraqueza
Surge uma força com o poder de reanimar.

Desvaem-se as vãs desilusões
Fugindo às fontes das grandes conclusões.
É algo que nos pega
Que amansa nossas feras.
De um poder real
De arte imortal.
De poder dos sábios
Sendo arte divina
Que dedico a você
Por toda a minha vida.

Falo do amor
Senhor de toda a vida
Que honro com você,
É força que nos aproxima.

D'Artanan Abdias

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Diafaneidade em Amor

-Às vezes, é como se o mundo inteiro coubesse dentro de mim; como se eu soubesse todas as respostas e entendesse todos os porquês, mesmo sem saber explicá-los ou falá-los. Em outros momentos, meu coração se enche de dúvidas, não tenho as respostas de que tanto preciso e estou diante de uma bifurcação extremamente dolorosa; ambos os caminhos me fazem deixar no passado valores de que muito prezo.

-E aí começa a ladainha!

-Para Pedro! Deixa ele falar. Eu gosto das histórias e contos dele!

-Isso é porque você ainda não passou anos escutando elas.

-Mas nunca são as mesmas. Deixe que ele fale. Passaria anos, sentada, escutando as Filosofias de Arthur.

-Obrigado Mona. Você é um anjinho. Mas minhas filosofias têm seu peso de negatividade. Eu só as faço em momentos terrivelmente dolorosos ou ambíguos.

-Não importa. São belas e verdadeiras. É isso que me interessa. Eu penso que você, com esse jeito delicado, forte, durão, esconde aí por trás uma dor incompreensível e, acreditando nisso, admiro demais o modo com que você lida com isso. Essa sua alegria... Por trás de tanta dor, você só conseguiria ter se encontrasse respostas, mesmo que só teorias, dos porquês da vida. Eu acredito em você. Acredito na magia do amor e da sabedoria e queria muito ser como você. Mas... Isso é para os bons!

-Já vi que to sobrando... To vazando. Quando a filosofia acabar eu volto para ver TV, ok?!

-Pode ficar Pedro. Eu e Mona vamos para o quarto. Lá poderemos conversar sem atrapalhar você. Venha Mona!

-Sente-se. Não se acanhe!

-É lindo! Nossa! Como consegue ser tão organizado? Você leu todos esses livros?! Uou! Que altar perfeito... Agora eu entendo porque ninguém entra aqui. Mas por que não em levou pro quarto onde você dorme?

-Durmo aqui, às vezes... Você sabe como é... Te trouxe aqui porque assim não atrapalhamos Pedro na sala, o quarto é longinho... Sou perfeccionista, tudo em seu lugar. Li quase todos, alguns poucos são de minha mãe. Ser um bruxo, minha cara, tem seus privilégios... Mas olha quero que entenda uma coisa, e muito bem! Não sou “bom” ou privilegiado pelas minhas filosofias. Coisas e acontecimentos, bem como escolhas minhas, me levaram a elas. E talvez, minha maior dívida para isso seja com o sofrimento. O que muitas pessoas temem eu aprendi a tirar meu proveito, minha história, minhas explicações. Aprendi a ver em cada sofrimento um aprendizado único, um caminho de evolução, um jeito de entender e melhorar sempre. Não que eu deseje sofrer! Não! Sou como todo mundo... Gosto de ser feliz e alegre. Mas quando sofro, não temo; ergo a cabeça e vou em frente, aprendendo e resolvendo o que se tem pra resolver. Nada é por puro acaso...

-É eu sei! Tudo na hora certa e do jeito certo, mesmo que não pareça.

-Aprendeu bem!

-Eu presto muita atenção no que você diz. Sabe, admiro você, sua fé, sua crença, sua sabedoria. Você sabe como chegar a algo.

-Não... Não sei! Nunca soube. Sempre contei com a inspiração e um pouco de trabalho bem como muita imaginação para chegar a algo. Quase sempre com ajuda, mesmo que imperceptível, ou contando com muita sorte. Escute, Mona. A vida não é mais bonita ou mais feia quando se conhece as teorias ou se tem a visão de que eu tenho acesso. Não... Ela é a mesma, o que muda é o jeito com que a vivemos. A beleza das coisas não está em sua aparência, mas em sua essência; e a essência não é vista, é vivida.

-Quais escolhas se deve fazer para chegar até onde você chegou? Precisa ser um bruxo ou bruxa?

-Não! Precisa-se ser um místico, ou seja, alguém que conheça e viva os mistérios do Universo, precisa estudar muito, ler muito, pensar muito e saber que sempre se está aprendendo. Uma folha que cai da árvore pode ter mais ensinamentos naqueles breves segundos do que um livro de um milhão de páginas. Basta você buscá-los com seu coração. Mas a principal escolha que se deve fazer é a mesma do conselho que Dumbledore deu a Harry Potter no quarto livro da série: “... devemos escolher entre aquilo que é fácil e o que é certo”. É difícil entender qual é fácil e qual é certo e mais difícil ainda é escolher, pois em ambos os casos abandonaremos valores dos quais fazem parte profunda em nosso ser.

-Eu queria ser como você, uma mística, como você disse.

-Se você quer, então, já tem cinquenta por cento do caminho traçado. Agora, é buscar conhecimento, teoria e os mistérios. Posso te ajudar nisso, mas o caminho até eles você terá de fazer sozinha. Mas já te adianto, o principal dos mistérios é o amor; o mais nobre dos sentimentos e a mais poderosa das magias. Ele é simplesmente indefinível. Não se tem uma classificação do que seja de fato o amor. Ele é atemporal, não vê distância, não vê forma, não vê destino. Vê o ali, o agora, e o bem maior do ser amado, independente do egoísmo de se ter alguém, pois isso é paixão.

-O amor é lindo...

-Não! Ele é feio, muito feio. O que ele faz é lindo. Mas amar em si é se perder, deixar de existir... É seguir a vida sempre em doação. Quando se ama se vive por amor e ele não está apenas na pessoa a quem escolhemos, intimamente, para amar. Está em tudo, em todos. Quando se ama se ama a tudo e a todos, porque o amor é completamente altruísta. Ele é um vento, uma brisa suave que esbarra em tudo e todos, mesmo que sem ser percebido, ele está ali. Os que se contagiam com ele são arrastados na direção da brisa vendo coisas lindas enquanto se deteriora a si mesmo.

-Como assim? Se deteriora a si mesmo?!

-Quando você ama, você simplesmente ama. Pouco te importa se aquele amor está sendo realizado ou não. Você abdica de tudo para apenas ver a pessoa feliz, independente de sua companhia ou não. Claro, amor sempre vem acompanhada da sedutora paixão e essa nos dá aquela pitadinha de vontade de querer ter a pessoa amada perto; mas o amor logo vem e dosa, o perto para o amor pode ser um amigo, namorado, marido, não importa... Ele apenas que ver feliz a pessoa que o recebe, que o completa, que o faz bem; mesmo que para isso tenhamos que sacrificar nossas decisões, nossos sonhos e, em último caso, até a nossa felicidade. O amor é um sentimento unilateral que, às vezes, é correspondido em mesma freqüência. Não se escolhe a quem amar e diferentemente da paixão, não se pode criá-lo ou transmiti-lo com o tempo, ele simplesmente vem, desrespeitando qualquer hierarquia que lhe seja imposta, afinal, ele é o todo soberano.

-Então, amar é algo inexplicável. Mas como as pessoas o diferenciam?

-Hoje em dia não se diferencia mais. O egoísmo é muito forte, poucas pessoas têm coragem de serem altruístas. Com isso, sentimos muito paixão. Muitas vezes, falamos: “eu te amo” querendo dizer “eu estou apaixonado por você”. Mas, quando se ama verdadeiramente, a pessoa sabe, mesmo que no mais profundo do íntimo dela. Ela simplesmente sabe, porque não define, não entende. E começa a compreendê-lo a medida que vão seguindo os conselhos dele, mesmo que o mundo inteiro ria daquilo ou achem errado, só aí elas começam a entender a dimensão que é de fato o amor e até onde ele é capaz de chegar em nome de se preservar aquilo que ele mais preza: o bem maior daquilo que se ama.

-É por isso que dizem que aquilo que é feito com amor dura para sempre.

-Exato! Uma vez colocado amor ali, não existe barreira que o pare, não existe obstáculo que o vença, não existe nada que o supere. Então, se você de fato amar ou fazer algo com o verdadeiro amor aquilo viverá para sempre e você saberá que aquilo vive, mesmo que não mais esteja com você ou em suas mãos. O amor é o único elo incapaz de se destruir, mesmo que a relação em que vivemos esse amor mude, ele jamais muda; mas se adéqua a nova situação com muita maestria.

-Então, por exemplo, seu eu amar de verdade alguém e, por alguma eventualidade, acabar me separando esse amor vai continuar existindo mesmo que nem eu queira mais essa pessoa?

-Sim! Ele pode parecer que foi apagado pela raiva ou pelo ódio. Mas, sem dúvidas, ele está lá com a mesma orça de antes e, talvez, inconscientemente, você tenha se separado por que viu ou imaginou que a felicidade de quem você ama é mais completa sem você; e, se por acaso, você descobrir que você é que completa essa felicidade do outro, você, sem saber ou sabendo, tenta reatar a relação, mesmo que com uma amizade. E, lembre-se sempre, o ódio nada mais é que a afirmação de um amor negado ou de um sofrimento egoísta de uma das partes. Não existe ódio sem amor.

-E se a pessoa amada for um grande amigo e não mais que isso, como fica o amor?

-Do mesmo jeito. Se a amizade já faz a pessoa feliz, para o amor, isso basta. A paixão que sentimos – onde tem amor tem paixão, mas nem sempre onde tem paixão tem amor – é que nos pede para ter algo mais, uma relação mais íntima como um namoro. O amor só quer a pessoa feliz e se predispõe a estar sempre ali, independente do que a pessoa amada precise e mesmo que tenha que sacrificar a paixão e o gostoso sabor que se tem com a realização dela.

-Um dia quero amar assim, com pureza.

-Se você continuar a ser essa jovem com coração de menina, um dia amará. É só não deixar que a vida, a decepção e a sociedade corrompa seu amor. Guarde-o como o bem mais precioso que você tem. Não deixe ser contaminado pelas efemeridades e enfermidades que vivemos na vida social; então, na hora certa você amará com pureza. Mas tome cuidado para não se iludir com a paixão, achar que é amor e dar tudo de si para a pessoa errada. Mantenha os pés no chão e lembre-se, para estar sempre a postos para a pessoa que amamos, temos que amar a nós mesmos em primeiro lugar; saber a hora de agir e não nos perdemos. Amar não é viver a vida da outra pessoa, mas fazer – independente da forma – a outra pessoa fazer parte completa da sua vida!

-Seguirei o conselho!

-Agora vamos, já está tarde! Vou te levar para casa. Você pode ter quatorze anos, mas com certeza preocupa sua mãe, que te ama!
-Claro, ela já deve estar se roendo. Mandou eu voltar às vinte horas e já são quase dez... Mas ela sabe que estou com você, estou segura...

-Eu se fosse você não abusaria tanto da sorte assim; além do mais, não sou passe de segurança para ninguém. Sou humano tanto como você! Hehehe...

-Bobo, você me entendeu, papai!

-Vamos, vou ir no carro do Pedro. O meu está pra revisão...

-Ele não vai ficar bravo não?!

-E deveria?! Somos casados, no papel o que é meu é dele e o que é dele é meu... Posso abusar desses termos, se é que me entende?! Hehehe...

-Safadinho! Então te, uai!

-Pedro, to pegando seu carro pra levar a Mona, daqui a pouco estou de volta.

-Vai lá! Mona, você é sempre bem-vinda! Dirija com cuidado, hein?! Não quero perder duas raridades em um acidente de carro, ainda mais com o meu. Não tenho seguro!

-Pode deixar meu bem. Na volta trarei um filme para nós, ok?!

-Hmmm... To afim de assistir um romance!

-Deixa comigo?!

-Vamos Mona?

-Sim, papai!

-Ah! Querido, me desculpe se te ofendi... É que eu queria mesmo ver o meu programa na TV.

-Relaxa Pedro! Sei que você me ama e sei que conhece todas as minhas teorias. É realmente muito chato escutar algo mais de uma vez. Eu te entendo. Já volto!

-Obrigado amor! Te amo! E quando tiver uma nova, terei, realmente, o prazer de te escutar.

-Será o primeiro para quem eu contarei... Vamos, mocinha!

-Tchau, Pedro! Volto fim de semana que vem.

-By, mocinha! To de olho com você na escola... Fica escutando o Arthur falar de amor... Vou aproveitar que sou seu professor pra saber como você usa isso!

-Ah! Uns beijos não é pecado!

-Não é não! Mas você não tem idade para passar disso! To de olho!

-Nem quero! Na hora certa tudo acontece...

-Aprendeu bem o que Arthur fala. Primeira filha que escuta muito o pai...

-Acho que a distância ajuda.. Não nos vemos todo dia, não é filha? Aí a saudade nos faz ser mais ouvidores e entendedores que carrascos e rebeldes. Agora vamos porque já estamos atrasados; Estelle me mata! E também a locadora fecha as vinte e duas e trinta. Perderemos o filme se me atrasar!

-Vão! Vão! Rapidinho... Anda! Quero meu filme. Hehehe... Beijo Mona! Boa noite. Nos vemos segunda!

-Beijinho, paizinho... Hihi!

-Paizinho?!

-É pai, ele é meu paizinho e você meu paizão! Hehehe

-Vamos antes que isso vire assunto.

-Chegamos! Você ficou calada o percurso todo. Por quê? Onde estava essa sua cabeça?

-Pensando no que você me disse hoje, sobre o amor. Quero entender melhor, mas eu sei: na hora certa!

-Muito bem! Hora de ir! Manda um beijo pra sua mãe, cumprimentos ao seu padrasto e um abraço no seu irmão... Te pego sexta na escola!

-Você não vai entrar?!

-Não! Receio papiar por aí e perder a hora da locadora.

-Você e o Pedro não cansam hein?! Ô fogo!

-Menina! Isso é intimidade nossa!

-Hehehe! Desculpe... Mas, vai me deixar levar a bronca sozinha, né?

-Sua mãe confia em mim. Sempre fomos grandes amigos e foi por isso que você nasceu...

-Eu sei, você não casaria com uma mulher, pois seria uma mentira sua para ela.

-Isso aí! Agora vai!

-Até sexta! E... Pai não se atrase!

-Não atrasarei, até! Beijos e boa noite!

-Boa noite, paizão! Beijos... Te amo, ok?!

-Também te amo, querida! Vai logo antes que sua mãe ligue para o meu celular...

-Já fui!


D'Artagnan Abdias.

Tempo

Não posso esconder
Muito menos renegar a dizer,
Que o amor que bate em mim
É só para você...

Doce é a ilusão da saudade
Saudade que me consome nas horas de solidão.
Doce é o desejo de fazer-me vermelho
E arder-me em paixão.
Doce é o brilho que me guia,
Razão de minha vida
Que é seu olhar.

Já não posso mais agüentar.
Te desejo a cada minuto de meu pulsar.
Maldita dor que me consome
Quando a distância nos envolve
E não posso mais respirar.
Sim respirar, respirar o ar
Que seu sorriso me dá.

É forte a vontade de mudar o mundo
Só para não te deixar partir,
Mas não tenho forças, se não para ti.

Suave e sereno é o amanhecer
Doce e brilhante de meu viver.
A noite então passa
E vejo um majestoso brilho,
Que irradia e gera vidas, então,
Olho a minha volta e vejo você a sorrir.

Sinceras palavras digo ao seu olhar.
Te chamo de amor no lugar
De mil palavras que não sei proferir
São virtudes da alma de um céu a florir.

Pesar...
O pesar me consome quando estou só.
Sorte...
Em sorte me alegro por ter te dado um nó.
Nó que nos une, que nos torna um
É força que reina, que vive e brilha.

Sinto tudo em um.
É religião, é vida, é força e poder
Mas vira descrença, morte e fraqueza
Quando te vejo desaparecer...

Ó doce brilho que brilha longe no céu
Que irradia minha alma e me faz cantar.
Tome o que é seu
Reine sobre o véu,
Véu tênue entre o viver e o amar.

Sonho de minha vida,
Brilho de minha jornada
Venha, venha me ver.
Celebrar comigo o amor
Que tenho por você.

Doce sensação de um eterno ser,
Nem vivo nem morto,
De um divino aprender...
Seguir juntos
Para nunca esquecer
Que a vida é bela e sempre a seguir.
Atrás é passado, o futuro é distante,
O hoje sempre será você.

D’Artagnan Abdias Silva.

Soneto de amor

De conhecimento obscuro
De terras intocadas pela razão,
Nasce um sentimento
De pureza em meu coração.

No ato de dar
Na terra a florescer,
No calor a se tocar
Nasce ele sempre a crescer...

Sagrado no passado
Cantarolado por pássaros
Por Deuses, na Terra semeado.

Falo de amor dedicado
De minha vida sempre doado.
De bem e prazer é sempre amado...

D’Artagnan Abdias Silva.

Noite de brilho eterno

Um dia, dentre milhares,
Brilhou ela...
Era diferente, diferente era.
Brilhava forte e resplendorosa
Senhora da Terra, nesta hora...

Encantado fiquei
Era branca pura e singular.
Nossa! Quão bela era...

Senhora plena, noiva
Bela e completa, ô se era!
Com o coração aberto
Em um amor incerto
Vi o inédito...

Vi um sangue encobri-la
De beleza e raridade
Uma realeza sem fim!
Era belo e intrigante...
A sombra rubra, era da Terra!
Colorindo o branco puro
E abrindo-se para mim...

Nunca foi tão forte,
Nunca pensei assim...
Vi no céu sem fim
O vermelho ganhar poder
E o branco desaparecer.
Foi, então, que meu coração bateu
E um pedido faleceu...

Sorri, olhei longe
Vi um rosto a olhar
Vendo o mesmo luar...
Sabia ser você,
Rápido a me responder!

“Ó lua bela, poderosa e completa,
traga o amor da pessoa que me espera!
Vá, vá rápido!
Leve-me a ele
E traga ele a mim.
Não nos separe e ate nosso amor.
Como unidos seremos
De um tempo sem clamor!
Assim seja e assim será!”

E, então, tenho você!


D’Artagnan Abdias Silva.

Dedicação

Amar é uma arte.
Namorar uma beleza.
Ter você...
Algo de infinita grandeza.

Estar só,
Tristeza sem fim.
Estar com você
Alegria para mim...

Agora ando nas nuvens,
Mas dou passos com sentido.
Destinados a você,
O sol de meus caminhos...

Posso ser um luar,
Posse ser uma flor.
Dedico a você
Todo o meu amor.
D'Artagnan Abdias.

A Vida... É conquistar!

Às vezes, paramos no tempo
Sem mais nem menos...
E esperamos, esperamos, esperamos.
Que algo aconteça, que alguém apareça.

Queremos viver, queremos seguir...
Mas onde estar “nós” se não aqui?
Como vou sem alguém a seguir?
O medo vem e abriga a alma,
Escurece o coração e caem lágrimas...

Assim como paramos também seguimos,
Pois, sem mais nem menos, tomamos a vontade
Uma incandescente vontade de continuar,
De seguir, de conquistar, de tentar...
Nem que seja para depois voltar,
Mas o agora guia e tentar nos fortalece...

Renova-se as esperanças daquele velho sonho
Que uma criança pensa ser,
Escutando os contos de fadas, em noites acordadas
Em um “para sempre” sempre feliz...

O mundo não é assim,
Mas podemos fazê-lo ser
Basta querer e unir-se para crer...
Tudo é possível se dedicar-se.

Somos capazes de tudo,
E a tudo corremos nas esperança do ser...

Nem que depois da busca
Acrescentamos uma jóia em nosso baú,
Uma jóia chamada amigos.
Mas pegamos o mapa e tentamos
Tentamos, tentamos, e conseguimos
Mesmo que de outras formas
Chegamos ao coração,
O baú desejado de quem almejamos.

É esperança, é amor, é amizade é conquista...
Um jogo de sedução sem fim,
Sempre riquezas, e sempre feliz.
Afinal, a vida é amar,
É ser feliz, é conquistar!

D’Artagnan Abdias Silva.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Ser, será?

Às vezes, paro e olho as flores,
Às vezes, sou uma delas,
Ou uma nuvem em céus tempestuosos,
Talvez o resplendoroso azul por entre as nuvens
Ou ainda um singelo cristal por entre vidros...

Quem sou?
Você sabe? Quem sabe?
Um milhão de vezes me perguntou,
Quem sou? O que faço?
Um milhão de vezes me respondo,
Sou eu,
Algo grande, algo pequeno.
Flores intocadas, florestas amaldiçoadas.
A beleza do verão, o pensamento do inverno.
O riso de coração, o chifre do diabo.

É um eterno contraste,
Uma incrível dualidade...
Será o equilíbrio?
Será a condição?
Não. Sou eu,
Uma pessoa,
Com muito amor no coração...

Talvez eterno, talvez longínquo.
Único, ou cheio de iguais...
Mas quer saber quem eu sou?
Eu, eu sou assim...
A bela rosa amarela,
Cheia de graça e beleza,
De completude e graciosidade.
Tão única dentre várias,
Tão igual ao mero olhar...
Cheio de amizade e amor,
Com uma beleza levada ao ardor,
Da paixão pela vida,
Da dor da partida.

Ou quem sabe a violeta?
Possuo mistérios,
Que me rondam
Como esta bela cor...
Sou presente,
Aonde vá, lá me encontrará.
Sempre ao alcance,
Mas tão singular,
Que lhe faço perder o olhar...
Tão complexo, mas tão simples,
Talvez seja o jeito de amar...
Sou assim: tão igual, sem igual...
Dual e fraternal...

Me escondo na beleza da alma
Na fechadura do coração.
Com a amizade sempre junta,
Levo paz em minha missão...

Mas será?
Talvez sim, talvez não...
O resto é zelo
De quem habita em meu coração.

D'Artagnan Abdias.

O ato

De virtudes de campos cheio de flores
Pratico a estrada de mil amores.
De força a terra a semear,
Semeio vida que não pode germinar.

Séculos de exclusão,
Hoje a doce sensação.
Com alguém em uma cama,
Crio e teço essa nova trama...

Vida e força de amores trocam,
Do poder ao ardor proclamam,
Como dois amantes,
Com duas vidas
A união equilibra errante.
Ao ato proclamo,
A vida derramo,
Em teu leve corpo
busco a vida como um corvo.

Por entre tuas flores caminho
Entrando por elas
E espalhando amor em meu caminho...
Vou dedilhando prazer
Te enchendo de meu ser,
Viro a glória do ter
De outras eras, vamos ver...

Então agora,
Imagino minhas mãos
Acariciando teu corpo
Fazendo do prazer
Imensuráveis horas de amor;
De uma península de pequena dor,
Onde o prazer se torna
A descoberta do ardor...

Então juntos,
Aos gritos que anunciam o fim,
Abraçados as horas
Que passam em mim
Dizemos alto
O único som do ato,
O final é amor exalto.
D'Artagnan Abdias.

O conto da Bruxa Maldita

Em tempos antigos, em um pequeno povoado, terra de grandes feiticeiros, existia uma bruxa, já velha, feia e coberta de verrugas. A velha bruxa portava sempre seu simples vestido remendado em tecidos escuros, seu xale de fios pretos e finos que mais pareciam uma teia de aranha velha, seus sapatos já gastos sob pés descalços do manto costumeiro; seu cabelo rebelde e mau cuidado negava-se a parar no coque mau feito e sem esmero.

No pequeno vilarejo de Kasynkeirt habitante nenhum ousava se aproximar da velha bruxa, a qual sobrevivia das caridades recebidas de seus parentes de muito longe que há muito não os via, mas que lhe enviavam mantimentos, hora por pena, hora por pedidos teimosos da bruxa que há mais de trinta anos não saia de seu pobre e morto jardim.

Às vezes, podia se ver a vela queimar próximo a janela e, para os que se aproximavam, era possível vê-la sentada a cochilar em sua cadeira dura, seca e já quebrada próxima a lareira. Sobre a mesa do casebre via-se pouca fartura e pouca sujeira, como em toda casa, mas garanto, a limpeza era sem brilho e esmero e as aranhas de muito gostavam de lá. Dentro da lareira postava-se um caldeirão grande e enferrujado, há muito inutilizado. O quarto, quase ausente, era menor que os poucos móveis – a cama velha, quebrada e desarrumada; o guarda-roupas pequeno e já sem portas; e a escrivaninha desnorteada e pequena sobre a qual jazia um livro negro e empoeirado, um castiçal remendado, uma pena e tinteiro já esgotados. Os jardins, sem vida e de terra batida, parecia retratar o interior da casa e o desleixo de sua dona, cercado com madeira de tronco velho que só o chão marcava, pois já perdera o sustento.

A velha rotina também não mudara, o levantar junto ao sol, jejuar até que a cidade levantasse sua voz, comer da pouca comida, sentar em sua escrivaninha e reler os ensinamentos de seus ancestrais a procura de algo revolucionário. Servir-se dos poucos grãos de feijão socados quando o sol chegasse ao pico, sentar-se no velho banco de trançagem em palha gasta e olhar ao longe o movimento do vilarejo sempre entusiasmado. Quando o sol se inclinava, a velha bruxa entrava, acendia sua lareira, sentava-se junto a ela e meditava sobe a vida. Com o céu obscuro o destino era apenas o refúgio no mundo dos sonhos que nem mais belo lhe era.

Certo dia, ao sair para seu jardim ela encontra os novos dados de seu primo distante: a mesma saca de feijão e trigo para o pão, garrafas de vinho, pois de água a mina já saciava e negar a bebida santa era crime em outra região. Junto havia uma carta que ela apressadamente pôs-se a ler.


“Senhora Trirya, quem lhe escreve é o servo de teu primo, para quem ele deixou a vasta fazenda do lado de cá. Creio que sabes que ele nega vosso parentesco, pois a fama em que a senhora possuí não é das boas: ‘a bruxa maldita’. Sou eu quem faz as entregas ao mando de teu primo.

Venho comunicar-te que o senhor Jorocc faleceu noite passada após separar estas sacas e vinhos. Sei que tua situação é trágica e prometo continuar com as remeças, mas peço meu anonimato para proteger as trocas do feudo de cá e continuar o sustento dos demais servos que agora são meus.”.


Ao ler, a velha bruxa sentiu-se abandonada e finalmente só, perdera o único parente vivo, mas sentiu-se consolada com a caridade do servo, afinal, um dia aconteceria. Recolheu as sacas e voltou a sua rotina.

A noite em que se seguia era a primeira lua redonda, e sendo assim, a bruxa se preparou para o ritual costumeiro de conversar com a Deusa.

Quando a lua, enfim, tornou-se plena ela invocou a Deusa e ambas puderam conversar:

-Deusa, querida, muito tenho te honrado e tu nada me deste!

-Filha, lhe dei a vida, não há presente maior, mas ainda dei-lhe o poder, e pode construir seu próprio destino.

-Tenho vida e poder, mas sou amaldiçoada em meu ser, o que posso fazer?

-Tu me amas? Verdadeiramente?

-Sim, amo-te!

-Então quando meu ciclo for meiado e eu ocultar-me vá a vila. E conte-me tudo na próxima lua cheia!

Sem muito entender foi o que a bruxa fez. No primeiro dia após a lua nova ela saiu e foi a vila. Os habitantes espantados em vê-la se afastavam, mas em sua ilusão a bruxa apenas via a alegria das cores e do novo mundo.

Na próxima lua cheia a Deusa foi a sua procura:

-E então, minha filha, como foi?

-Ótimo, minha mãe! Penso em voltar lá novamente amanhã.

Não, se quiseres visitar a vila vais à mesma época da passada e traga-me a mais bela flor que encontrar.

E a bruxa o fez, mas desta vez, ao colher a flor, os cidadãos começaram a gritar:

-Maldita!

-Bruxa maldita! Volte para as trevas de seu lar improdutivo!

-É! Não serves ao nosso meio!

Abatida a bruxa voltou chorando, mas dentro de sua casa um anjo a aguardava, e ao entrar ele a abraçou e disse:

-Estou com você e juntos vamos vencer!

-Mas o que posso fazer? Sol maldita como o ventre sem filhos mesmo.

-Podes tudo, se o crer! Vamos! Vê a terra lá fora? Plante nela grãos de milho, os que achaste no chão, grãos de trigo e de feijão. Na porta de seu jardim enterre a rosa, e a Deusa a receberá. E derrame todo o seu vinho sobre o solo, mas cuida dele e seu jardim será o mais belo.

A bruxa o fez enquanto o anjo fazia o velho casebre brilhar com o esmero de seu toque.

O tempo foi passando e, após um ano, o jardim da bruxa era o mais belo já visto, e todos do vilarejo o cobiçavam. O anjo reapareceu e disse:

-Agora reparta seus frutos com a vila, e quando sentir que é a hora clame pela Mãe.

A bruxa repartiu cada grão com a vila que por interesse tudo aceitava; até que em uma manhã, a velha bruxa não conseguiu levantar-se e clamou:

-Deusa, ajude-me! Preciso cuidar de meu jardim.

O anjo reapareceu portando uma coroa de flores, das mais belas, tocou a bruxa e pôs-lhe a coroa. Suas roupas remendadas tornaram-se brancas e em pura seda, seus cabelos se soltaram ainda rebeldes e sua casa transpor-se em luxo. Tendo a bruxa nos braços, o anjo a beijou, fechou-lhe os olhos e ela morreu, mas tinha semblante feliz de vida ganha.

Mas tarde o povo foi reclamar da ausência dos grãos e o anjo exuberante gritou dos jardins tendo-a nos braços:

-Eis aqui a serva bendita da Mãe! Filhos vãos da inveja e da cobiça não sabeis vós mesmos cultivar a terra?! Pois o façam, pois só os que transmitem amor, e não apenas falando-o, poderão se deliciar nos jardins da Mãe um dia, pois os que não o fazem voltarão para fazê-lo!

“O jardim em que vês é obra do amor e dedicação daquela em que vós mesmos negastes. Ela em sua miséria tornou-se a mais rica enquanto os vossos jardins morreram por falta de amor! Não esperem que outros façam por vós, nem esperem milagres sem dedicação, pois eis que são vós os condutores de tudo o que será de vós, seja nesta ou em outra história!”

E ao falar isso o anjo desapareceu em meio ao jardim junto com a velha serva. Os habitantes... Esses voltaram a cultivar suas terras, mas o jardim da bruxa que muito lhes ensinou era cultivado por todos do vilarejo em sua honra e os frutos do jardim, pobre em outrora, eram divididos entre todos, ainda sendo os melhores dos frutos. Quanto a bruxa, sem herdeiros e amigos, foi para longe, mas jamais fora esquecida.


D'Artagnan Abdias.

Alienação Amorosa

Como pode entender o amor puro e simples pelo poder de amar e não desejar? Amar é desejar, é querer estar perto e ir junto. Não entendo como muitas vezes amamos e “desamamos” com tanta facilidade... Se amar é tão intenso deveria ser uma vez só. O que acontece com o mundo de hoje? Muitas vezes dizemos “eu te amo”, e trocamos juras de amor, mas não somos capazes de amar uma vez só.

Jovens de hoje se deixaram levar pela paixão no lugar do amor. A efêmera paixão hoje é sinônimo de amor. Quando trocamos juras e mais juras amáveis e belas de amor deveríamos apenas dizer paixões, pois um dia sabemos que vai acabar, se esgotar. O amor não. Longe ele alimenta a saudade, o caos, a desordem, a raiva e o ódio – dependendo do porque da distância. É irônico dizer, mas amar é ser egoísta; gostar e se apaixonar não!

Tudo bem, casamentos passados só permaneceram intactos pela submissão da mulher e não legitimidade do divórcio. Mas e os casamentos mais antigos ainda. Quando o amor era mútuo e próspero e o segredo do amar era a dedicação? Ora, é fato que qualquer sentimento pode se dispor de um fim. Não há mistério nisso. Mas porque a amizade perdura mais, porque somos mais amigos e familiares que amantes?

Há tempos venho pensando nisso. Acho que encontrei uma solução.

Ponha-se a visualizar um esquema bancário um pouco diferente: Você deposita certos valores, com o passar do tempo ele é diminuído pelos impostos, juros e demais encargos prestados. Por isso, você deve sempre está atualizando a conta bancária. Quando necessário, por motivos quaisquer, fazemos retiradas, pequenas ou grandes, e elas são computadas. Para sanar o baque bancário fazemos depósitos, que são consumidos por juros e impostos sobre os mesmos valores, portanto, para retornar a quantia anterior precisamos depositar um valor maior do que aquele que retiramos, a fim de sanar os encargos prestados.

É exatamente assim um sentimento, o amor. A cada retirada precisamos depositar um valor maior de dedicação e afeto. Dinheiro não se reproduz por si, o amor também não. Uma retirada não tem o mesmo valor de um depósito, este último tem um valor menor, menos perceptível. Se ao invés de pensar na separação, no abrir caminhos, “mudar de banco”, pensássemos: Vou investir, aumentar a conta bancária a fim de sanar os encargos da vida e sobrar mais para o desfrute de um bom “nível bancário”, talvez mais da metade dos relacionamentos estariam a salvo.

Se houve amor em algum momento da relação e ela acabou é porque com certeza alguém retirou mais do que colocou. Se fossemos menos orgulhosos e individualistas seria mais fácil perceber a facilidade com que se conquista créditos em uma conta. São pequenos valores que devem ser colocados juntos para, então, somar uma grande quantia de depósito.

Mas, com a sociedade atual, a crise de alienação pessoal e social, a individualização e o capitalismo sem limites, de fato estamos longe disso. E dessa forma, nos fadamos ao sofrimento e solidão. Sim solidão. Podemos ter milhares de companheiros em festas e nas noites por aí a fora, mas pense se algum desses “ficantes” realmente lhe fez companhia, ou se só lhe proporcionou momentos de alienação e prazer. Salvo que existem raras exceções, mas são tão raras que estatisticamente é um número não computado.
Pense: alienar-se para esquecer-se da dor é prolongar um sofrimento que tem fim.
D'Artagnan Abdias.
Às vezes, um simples pensar pode proporcionar mil coisas reais, e a força destas coisas podem ser maior do que as intencionais. O pensamento como o início de uma ação é certeiro, mas o poder de uma vontade recalcada é ainda maior.

Nem sempre conhecemos tudo o que devemos conhecer, e, à vezes, conhecemos ainda coisas que não são necessárias de se conhecer, mas nem sempre pode se acertar tudo. É necessário mais, é necessário saber voltar a trás e reconhecer o que foi bom concertando o que não foi. Mas isso é difícil, voltar a trás, ferir o orgulho e enfrentar o medo do erro é uma coisa que não são todos que possuem capacidade suficiente para executá-lo. Se todos soubéssemos voltar a trás, talvez tudo seria melhor.

Se para apenas reconhecer um erro precisamos de tempo, imagine de quanto precisaremos para concertá-lo. Até lá, o erro já foi perdoado e deveras esquecido. É por isso que devemos estar sempre um passo a diante de nosso erro, e de nosso medo. Sim, do medo, pois não há medo que tire mais uma ação que o medo do erro. Sabe, uma boa forma de errar menos é errar, mas não intencionalmente, enfrentar o medo e realizar a ação, mas de forma com que esta ação vise o melhor para todos os envolvidos. Se no fim for um erro, o erro será menos doloroso, pois foi bem intencionado, e o voltar a trás será mais fácil pois a intenção pesa.

O mundo é formado de erros e coragens, de sanidade e loucuras, de olhares, de críticas e aplausos, de gostos e desgostos. Não vale a pena esconder-se no medo com medo da ignorância e exclusão de uns, pois sempre haverá os que aplaudiram, mesmo que poucos. Além do que, os maiores artistas que conhecemos sofreram de ignorância e exclusão, e hoje são realmente venerados.

O medo nos mostra o que fazer, mas o medo do próprio medo nos impede de agir, e uma vida no medo não é uma vida, é um erro. Lembre-se se a vida fosse certa, se soubéssemos como será, e não houvesse a aventura, ela não teria graça e nossas escolhas não seriam nossas. Por isso viva, arrisque e erre, se fizer isso viverá realmente e desfrutará do poder da felicidade da vida. O sofrimento é apenas o caminho para a felicidade.
D'Artagnan Abdias.

Paixão

Uma arte de flores,
Uma plantação revestida por cores...

Canções que invadem,
Sem jamais sair...
Está no ar a respirar,
Em palavras que se trocam,
Em um singelo olhar,
No carinho que se demonstra,
Em lábios a se movimentar...

São gestos, mas jamais definições...
São palavras, mas jamais quantias,
São horas, mais jamais passado...
É sempre relembrado.

Seja bom, seja mau,
É aço que não se esvai,
É vida que não cai...

Coisa de jovens,
Ou força do homem,
Não se pode decidir...

São palavras,
São falas,
São flores,
São sempre amores...

É a paixão,
É ser feliz,
É arte, beleza e glamour,
Resumido em um,
É amor com ardor.

Uma arte sem igual,
Em uma tela tridimensional...
É arte de poetas, é glória de românticos.
Mas é união de homens
Sob guarda celeste.
É coisa sem sentido,
Mas que vale ser vivido...

D'Artagnan Abdias.

Inteligência Burra

Um mundo como qualquer,
Uma vida sem vir, sem ir...

Uma terra a disparar,
Sem sementes a semear.

Calor ao chão tocar,
Exaustão da testa dos homens a cair,
Trabalho, trabalho...

O homem mata,
Mata a si próprio sem pensar...
Mata com armas,
Mata com olhar...
Mas mata, também, de atitudes sem pesar...

Se diz inteligente,
Mas não observa a gente.
Que formamos um mundo de paz,
Nós que trazemos um dom,
Que doamos o que há de bom...

A nós ele destrói,
Em inteligência burra se esvai
Gerações futuras sem vir,
Terra sem florir,
E um homem sempre a decair...

D'Artagnan Abdias.

Amigos

Amizade é algo muito maior,
Maior do que a mente humana
é capaz de imaginar,
é riqueza imensurável
que homem nenhum pode controlar...
Amizade é amor,
Amizade é vida,
É jamais estar só.

Todas as relações
dela dependem.
Todos os amores
Dela procedem...

Não há sentimento maior,
Que reúna, amor e glória,
Felicidade e companheirismo,
Saudade e carinho,
Dentre tantos que o homem não pode explicar.

Um homem só é humano se a ter
Um ser só é completo se a dividir,
E eu sou grato por ter você.
Sendo assim,
Espero de nósAmigos sempre a crescer...

D'Artagnan Abdias.

Sobretudo

Eu quero um sobretudo...
Mas quero um que seja diferente,
Que tenha o meu estilo...
Um sobretudo que seja único.

Eu quero um sobretudo...
Um sobretudo que me esquente nas noites frias,
Que esteja comigo para onde eu for,
Mesmo que só de braços dados...
Eu quero um sobretudo...
Mas quero um cheio de amor.

Eu quero um sobretudo...
Mas um que seja meu!
Um sobretudo para que eu possa cuidar...
Dar amor e carinho
E estar sempre bem juntinho;
Um sobretudo para à ninguém eu emprestar...

Eu quero um sobretudo...
Mas não os que se compram em lojas,
Muito menos virtuais.
Eu quero um sobretudo...
Mas um sem igual.
Eu quero um sobretudo,
Um sobretudo humano...
D'Artagnan Abdias

Eu

Sou apenas um monte de caquinhos
Remendados um-a-um...

Apesar de remendado pelo tempo,
Ainda possuo a unidade de vários momentos.
Que foram, que virão
E que ainda são, por que não?!

Tão comum e tão diferente,
Sigo dualmente...

É difícil dizer quem sou,
Mais fácil seria falar de quem não sou...
São tantos seres que, juntos,
Ao resplendor de um tempo,
Dizem-me: “és assim”!
E me amo assim, por isso, então,
Não tenho medo da emoção,
Apenas sigo o momento
Exigindo respeito e,
às vezes, deixando admiração...

Ora, pois sou humano!
E, como tal, mereço amor, carinho e atenção...
Mas nem sempre encontro isso não...
Continuo a busca...
Quem sabe, acabe no coração!

Amor é simples fato,
É a base...
Amizade, poder maior,
Base de toda boa relação
E o homem hoje a desconhece...

Eu sou assim,
Único e igual,
e quem me conhece sabe
o quanto fraternal...
Mas meu calo, você deixa aí!
Bem distante, ou saberá
O que poucos
Jamais sonharam em pensar...

“Viva e deixe viver”!
Vá seguindo assim e saberá
Que a vida é maravilhosa
E anseia por te encontrar!

D'Artgnan Abdias

O caminho é arriscado

Era como se as gotas de água fossem maiores do que de costume. Os dois corriam desvairados em um mundo onde tudo era maior do que se imagina. Perdidos... Mas convictos, como se buscassem desesperadamente algo. E não seriam as gotas gigantes, os enormes prédios, aqueles altos seres, nem o estresse urbano que os deteriam.

Mas o desespero foi passando. Pararam, enfim, embaixo de uma marquise que parecia alcançar o céu de tão alta. Mas logo se preocuparam. Pessoas, muitas se amotinaram correndo, desesperadamente apressadas, de um lado ao outro da calçada. E, para não ser atropelados, ambos tornaram a correr. Até que acharam um lugar escondidinho entre as enormes sacas de uma loja de legumes ali perto.

-Uruan! Não deveríamos ter vindo. Se tivéssemos escutado o Conselho...

-Talvez, nossa última chance estaria perdida. Sei que tem uma passagem aqui na cidade.

-Mas você sabe exatamente onde? Já viu?! A cidade é enorme, principalmente para nós. Seriam anos procurando...

-Eu sei Solar. Mas a gente acha! Lembra do que o mestre disse? Somente quando a lua brilha desimpedida...

-Conseguimos ver a porta se abrir. Sim eu sei, mas mesmo assim num é nada muito grande para localizarmos com facilidade.

-Os seres da floresta reconhecem o faro de magia quando ela se mostra... não se esqueça! Só temos que esperar anoitecer.

-Você perdeu o juízo, Uruan? Olha o céu! Por mais que hoje seja noite de lua cheia, mas olha a chuva... Não haverá lua visível. Perdemos a viagem.

-Solar... Para que servem seus poderes se não para libertar o sol? É só...

-Sei o que você quer que eu faça, mas não! Lembre-se das regras! Nenhuma fada pode usar seus poderes antes de receber suas asas. O que significa daqui há duas primaveras.

-Ninguém vai saber...

-A, vai sim! Somos vigiadas de perto pela fada mentora... Vocês duendes estão acostumado com a liberdade em excesso. Nós fadas seguimos um rigor, uma hierarquia!

-Tudo bem então! Que tal perguntarmos aos seres humanos se eles sabem onde se abre a pequena passagem para a terra perdida?

-Haha! Até parece. Você sabe que eles não podem nos ver ou ouvir.

-Eu sei! Estava caçoando de você, com seu jeito politicamente correto.

-É melhor voltarmos! Nos desculpamos com o Conselho e aceitamos a punição! Ai! Santa natureza! Vão adiar a entrega de minhas asas... E meu casamento com Lunus, então... Com certeza vai ser cancelado.

-Você se preocupa demais. Modéstia parte, não sei o que vocês vêem nos machos de sua espécie. São horríveis!

-Ah! Olha quem fala! Se acha o mais lindo dos seres, não?! Para sua informação as fadas não vêem a beleza física.

-Então, por que as fêmeas são tão lindas?

-A natureza nos fez assim, não cabe a nós questionar sua sabedoria!

-Tudo bem! Mas o que fazemos?

E permaneceram os dois lá a tarde toda, discutindo sobre se voltavam ou não para a casa. Iam comendo das folhas que caíam no chão, vindas daquela saca alta e gorda. Mas o tempo passava e passava. E não chegaram a conclusão nenhuma.

Foi nesse meio tempo que fecharam a loja e guardaram a saca, deixando os dois mais uma vez desprotegidos. Mas, de repente, uma bela mulher se aproximou, abaixou, olhou-os com esmero. Os dois não percebiam aquela mulher, pois estavam cegos tentando ver quem tinha a razão.

-Até parece que um duende idiota como você sabe usar magia do tempo! Esse é um dom dado as fadas como eu! Você é um guardião, um ser que atende a pedidos para que não violem nosso mundo!

-Acontece que sem nós, duendes, também não existiram as fadas mais. Ou você esquece que já evitamos muitos intrusos...

-Não, não esqueço. Mas não é por isso que tenho que fazer suas vontades.

-Nem eu a sua!

-Ótimo então! Vamos...

-Com licença madame. A senhorita perdeu algo? Está aí abaixada desde que fechei a loja, e preciso varre a calçada antes de ir. Posso ajudar em algo?

-Obrigado, querido. Mas receio ter perdido um brinco muito pequeno. Mas eu acho sozinha. O senhor pode varrer aquele outro lado primeiro? Assim tento achá-los. Se o senhor chegar aqui e ainda estiver, deixarei isso para lá.

-Claro. Com licença!

-Hei vocês dois!

Nem o duende nem a fada pareceram se importar e continuaram a discutir. Mas a mulher estava decidida a fazer contato, pegou os dois com as mãos, ergueu-se. Os pequeninos em sua mão pareciam assustados, enquanto ela se erguia a discussão era outra:

-Como vamos descer? Não tenho asas e ela não nos pode ver...

-Já estamos muito alto. Teremos que pular quando virmos alguma coisa por perto e...

-Não terão que fazer nada. Posso vê-los sim! E peguei vocês porque o dono da quitanda estava a varrer a rua, e jogaria vocês no lixo!

-Solar! Você não disse que nenhum humano poderia nos ver?!

-É o que está escrito no regulamento do livro de magia!

-E o que é lixo!

-Isso não importa pequeninos. Logo mais explico tudo. Mas me digam o que vocês fazem tão longe da floresta em um dia chuvoso? Nem Lua Azul é!

-Como sabe da Lua Azul?!

-Ah! Estamos procurando o portal para a terra perdida.

-Uruan!!! Não revele nossos planos a estranhos, ainda mais humanos que têm o coração tão duvidoso!

-Desculpe! Mas pensei que já que ela pode nos ouvir, talvez possa também nos ajudar.

A mulher que deliciava com a discussão entre os dois em sua mão apenas disse:

-E posso!

O choque ao ouvir essas palavras foi algo estrondosamente grande a ponto de deixar o duende e a fada paralisados. Uma mulher, humana, podia vê-los, ouvi-los e sabia sobre o portal. Era impossível, ia contra todas as regras do livro de magia.

-Quando chegarmos em minha casa eu converso com vocês. Agora entrem aqui!

-E aquela mulher abriu uma bolsinha cheia de moedas, colocou os dois pequeninos perplexados lá dentro e a fechou dizendo:

-Não quero parecer louca levando vocês dois na mão. Obrigado senhor! Já achei o que buscava! Boa noite!

-Boa noite, senhorita! Passar bem!

Caminhou mais um pouco e uma linda sombrinha florida foi aberta pelas mãos daquela mulher, que saiu toda alegre e contente pela calçada.

Passaram-se alguns minutos e lá estava aquela mesma mulher sentada em um banco de um ônibus, sorridente, apesar do ar abafado provocado pelas janelas fechadas e do incomodo ocasionado pelo ônibus em andamento.

Desceram em um ponto uns dez minutos do ponto de partida. A Mulher agradeceu o motorista, e caminhou pela rua chuvosa, mais uma vez com sua linda sombrinha florida.

Após algumas ruas aqui, esquinas ali, entraram em uma propriedade diferente de todas do quarteirão. A rua era sem beleza, toda em concreto, sem vida. Mas a casa não. Um jardim vasto e lindo, com uma casinha pequena e simples ao centro. Parecia um chalé retirado dos contos de fada.

A mulher entrou apressada, sentou-se na mesa da cozinha, retirou a bolsa e soltou os dois em sua mesa.

-Seqüestro! Solar, acho que ta na hora, use sua magia!

-Não vou contrariar as regras até ter certeza. Já estamos enrascados demais com essa história para poder acumular mais desavenças com o Conselho!

-Não estou seqüestrando vocês. Disse que posso ajudar e vou. Esperem aí que vou apenas colocar a chaleira no fogo.

E lá foi a mulher. Acendeu seu fogão e pôs uma linda e reluzente chaleira com água para ferver.

Enquanto isso, os pequeninos admiravam o ambiente. Uma cozinha sem requinte, mas limpa até o último centímetro. Lindos copos a amostra, xícaras, taças, louças, lindas panelas, tudo guardado em um armário antigo e rústico próximo da mesa. Perto do fogão, viram uma pia feita em mármore e toda delicada e detalhada com plantas e ervas. E poderam admirar, por fim, a linda parede em tom amarelado com lindos desenhos de natureza, de fadas, doendes e outros seres mágicos.

-Veja, ela não pode ser má! Ou não teria toda essa obra de arte!

-É linda sim, mas as aparências enganam. Tudo pode ser um troque.

-Meus pequenos, gostaram da decoração?! Eu mesma que fiz. Até os desenhos. Bem vamos conversar então!

-Quem é a senhora! O que quer conosco!

-Calma, rapazinho. Você deve ser Uruan, e você Solar. Meu nome é Marta. Sou uma bruxa. Não são muitas na minha condição que tem o privilégio de enxergar vocês. Muitas de nós só os sentem. Mas eu nasci com esse dom.

-Bruxa é?! Disseram que vocês estavam extintas.

-E estamos. Minha cara, ainda existem poucas de nós. Alguns bruxos e bruxas têm uma vida como eu, anônima. Vivemos como qualquer humano, nos misturamos a eles. Assim garantimos nossa sobrevivência desde o Caça às Bruxas. Hoje poucos de nós saem do Armário de Vassouras.

-Pode até ser. Mas então nos prove!

-Menininho atrevido você. Mas tudo bem. Não possuímos poderes como os de vocês, apenas lidamos com as energias que emanam da Mãe.

-Não acredito que seja bruxa então! Meu rei sempre me disse que as bruxas tinham poderes fantásticos de moldar a situação, que dominavam as leis da magia e sabiam como usar a arte com total perfeição.

-E sabemos... Sabe, nossos poderes não são imediatos como os seus, usamos da energia da natureza para fazer o que é certo e não para jogar.

-As bruxas, Uruan, são as guardiãs do equilíbrio universal, assim como nós guardamos o equilíbrio dentro dessa natureza aqui.

-Exatamente.

-Você disse que poderia nos ajudar... Como?! – disse Uruan ainda com tom de incredulidade.

-A terra perdida é um mundo onde só os seres pequenos dessa natureza podem entrar. Mas o portal, visível ou não, não se fecha, está sempre lá!

-Mas só podemos localizar ele quando fica visível.

-Sim eu sei. Mas conheço um bem perto daqui. Mas antes de indicar o caminho para vocês, terão de me contar o que querem lá! Pelo que percebi, você é uma fada sem asas e você um duende sem chapéu. O que significa, se bem sei, que nenhum dos dois estão aptos a realizarem missões!

-Viu! Eu disse que ela seria problema! – Uruan falou com aquele olhar “sou esperto”.

-Não, não vou! Apenas, se o motivo não for justo, vou devolvê-los a passagem mais próxima para o mundo de vocês.

-Ah, Marta, nós buscamos uma relíquia antiga... Uma espécie de poder para dar as boas vindas ao novo reinado que está para começar.

-Sei... E vocês fazem isso com a permissão de seus superiores?

-Não, não fazemos! Satisfeita?!

-Não! Mocinho, trate-se de se comportar, ou vou trancá-lo para poder conversar com Solar.

-Me tranca que te envelheço. Tenho meus truques.

-Que só funcionam até o próximo amanhecer. Agora aquiete-se!

-Mas diga, minha querida. O que vocês querem, de verdade? Sei que esse não é o motivo principal.

-Na verdade, eu vou me casar com o futuro Rei das Fadas, mas não tenho honra suficiente para isso. Então, Uruan me convenceu a buscar a relíquia da visão na terra perdida. O que facilitaria o Conselho a fazer o que é certo para equilibrar esse mundo que vocês, humanos, têm destruído com tanta velocidade, e me traria honra. De início achei legal, mas chegando aqui, percebi que era um erro. Mas Uruan não se convence.

-Agora a culpa é minha se você não tem honra!

-Não, não é! Mas é maluquice prosseguir!

-O mundo está em caos. A guerra dominou tudo. Essa relíquia poderá nos ajudar a ver como agir. E não pretendo sair da terra perdida depois que entrar lá! Dizem que é um mundo fantástico, onde tudo é possível e onde não somos inferiores pelo que somos, mas pelo que não somos.

-Entendo ambos. Mas acho que, Nem você Uruan está certo, e nem você Solar. Devem sim buscar a relíquia e dá-la ao Conselho. Mas devem ambos retornar. Ninguém inicia uma missão sem estar pronta para ela. A Mãe é sábia. Quanto sua honra... Quer mais do que se casar com o futuro rei? Se ele te escolheu é porque sua alma tem honra suficiente para isso. Vamos anime-se... Vou levá-los até o portal.

-Eu vou ficar lá!

-Se você ficar, Uruan. Vai passar uma vida deslocado. Não há seres como você lá! Os seres do mundo perdido são seres grandes, que seriam facilmente visíveis e caçados aqui.

-Como o que?

-Dragões, unicórnios, fênix, centauros...

-Pela natureza! Como vamos passar por eles.

-Não se preocupem. Não lhes farão mal algum, a menos que os desafiem. Bem. Chegando lá, procurem o líder dos centauros, se vocês o fizerem agrados, ele os levará até a relíquia e indicará um portal que abre e fecha até o mundo de vocês. Se não, serão convidados a sair da terra perdida.

-E onde é o portal que falou?

-A sim venham!

E novamente a mulher pegou-os com a mão, saiu de seu chalé e caminho com sua linda sombrinha aberta até o fundo de seu quintal, onde tinha uma linda árvore reluzindo os barulhos do céu nublado que dava a singela impressão de estar se deliciando com a chuva.

-Estão vendo aquela árvore? Vou deixá-los lá! Nos pés dela digam três vezes. Somos pequenos e queremos entrar! E passarão para a terra perdida.

-Tudo bem!

-Depois não poderei fazer mais nada! Se conseguirem sucesso nisso, meu amiguinho duende, você pode me enviar uma saca de frutas selvagens... mesmo desaparecendo no amanhecer, saberei que conseguiram.

-Ah, faço isso sim! Mas ainda quero ficar lá!

-Saberei se desistiu ou não dessa idéia.
E a bruxa colocou os dois aos pés da árvore, deu um aceno com a mão e voltou para seu chalé.
Passaram-se dias e dias, e a saca não chegou. Foi quando a bruxa já tinha desistido dos dois pequeninos que eles apareceram dentro de sua cozinha.

A fada estava com lindas asas cor do sol e o duende com um chapéu-coco verde musgo. Ambos carregavam uma pesada coroa de flores.

Quando a bruxa chegou em casa ela quase chorou com a cena.

-Marta! Um presente para você!

-E não é magia de duende...

-É de fada mesmo!

-Céus! Obrigado! Danadinhos. Fiquei esperando a saca!

-Decidimos que você merecia mais... Nos deu uma arma a mais para lutar contra o caos e nos ajudou a sobreviver.Obrigado!

-E você não ficou lá, não é, mocinho?

-Pois é! Detesto admitir, mas você estava certa! Prefiro a floresta... apesar...

-Apesar que nada! Viva a vida!

-Essa coroa é sua. Um presente nosso e de todos os seres da floresta.

Quando a fada terminou de falar, a bruxa se viu rodeada por fadas, duendes, gnomos e outros seres magníficos. Todos alegres e a saudando. Foi então que as fadas pegaram a coroa e, voando, a despejaram sobre a cabeça da bruxa.

Naquela noite, não existiu conselho, mas sonhos que perduraram...


D’Artagnan Abdias Silva.